Posterous theme by Cory Watilo

Murmúrio

Em vez de murmurar e denegrir a imagem de alguém para os outros por algo que ele fez ou deixou de fazer, falar de forma honesta com essa pessoa que lhe causou desconforto a respeito do que você esperava parece ser uma forma poderosa de resolver a situação em vez de mantê-la. Sabendo o que a pessoa pensa sobre sua necessidade e pedido fica fácil tomarem alguma decisão em conjunto.

Não considere que os outros ao seu redor vivam sob os mesmos costumes e expectativas. Ninguém é obrigado a adivinhar o que esperamos uns dos outros.

Emoção ante o abismo

Não vejo propósito algum na vida. Não acredito em deuses ou renascimentos. Não acredito em valores intrínsecos.

Essa perspectiva não me tirou a beleza de ter experiências emocionantes e tocantes, de rir e chorar, de ter empatia pelo próximo e de encontrar o prazer em coisas simples.

Não acredito na dualidade de bom e mau, certo e errado, corpo e alma, razão e emoção.
Não vivo na esperança de um mundo melhor.

Acredito no que sinto e experimento agora sem precipitar-me no abismo das conclusões e respostas. A complexidade, a metamorfose e a dúvida fazem parte da minha vida.

 

A luta com monstros

Aquele que combate monstros deve tomar cuidado para que ele mesmo não se torne um. E, se olhar muito tempo para o abismo, o abismo te encara de volta.” - Friedrich Nietzsche

Quando vejo alguns ateus militantes lutando contra a religião e todo o lixo que ela descarrega na sociedade percebo que alguns deles já se tornaram monstros semelhantes aos que eles lutam contra. Se tornam tão religiosos quanto os demais. Trocam o culto às divindades espirituais por divindades terrenas e ideológicas.

O abismo se torna ainda maior perante os outros.

Não proponho passividade às mazelas que as religiões e fanatismos possam gerar para a sociedade mas também creio que responder na mesma moeda tornam-os semelhantes com o tempo. Se submetem à mesma prática e acabam participando do mesmo jogo.

Sair em bando - O que me incomoda

Em outro momento  falei sobre não gostar de sair em bando, mas creio que generalizei sem destacar o que realmente me incomoda.

O que me desagrada não é o fato de estar em grupo mas as pessoas que não estão realmente presentes e com um laço de empatia com as demais. Apenas comparecem fisicamente aos lugares sem estarem interessadas nos demais. Vão aos lugares mas não entram em contato aprofundado com o grupo. Pessoas que não cooperam. Pessoas que saem para competir sobre quem fez algo "melhor" ou tem algo "melhor". Pessoas que saem para falar mal dos outros e rirem da desgraça alheia. Pessoas que saem para esquecer seus problemas ou ficarem reclamando e não para compartilhá-los e procurar resolvê-los. Pessoas que fogem de si mesmas. Pessoas que buscam o consentimento e acobertamento do grupo para julgar os demais.

Punição e recompensa

É uma pena necessitarmos, ou acreditarmos que necessitamos, de punição e recompensa de alguma autoridade para a prática da moral e da empatia. Crescemos numa sociedade onde há o uso de medo e controle para cooperarmos e vivermos em comunidade.

Sair em bando

Não entendo a graça de sair em bando e ficar ouvindo a tagarelice das pessoas, despejando uma por cima das outras seus pensamentos e desejos, sem mesmo ouvir com atenção o que as outras tem a dizer. Não querem estar sozinhas mas pouco se importam com os outros. Querem apenas audiência para vomitar suas bobagens e evitar o silêncio. Medo de si mesmas, da solidão.

Lervar-se a sério

Por vezes levo-me muito a sério, sinto-me compelido a querer manter-me coerente e explicar-me. Porra, isto já é insanidade, penso eu. E assim escrevo agora.

Melhor viver, sentir, tentar e se contradizer sem querer dar explicações. Fazer aquilo que parece ser interessante no momento e libertar-se de ideias aprisionadas. Preocupar-se é fraqueza.
Só se preocupa aquele que quer manter artificalmente uma imagem e exaltá-la em busca de alguém que a admire e quem sabe a cultue, talvez ele próprio. Insano. 

Não sou permanente. Sou algo que flui sem qualquer destino certo.

 

Agradar a todos

Querer agradar a todos e a todo momento é desespero. Saber negar é necessário. É honesto. Demonstra que quando fizermos algo é por vontade própria e com atenção.

Torna-se mais difícil que o normal confiar em alguém que não expressa suas vontades e prioridades.

 

Esperança e Maldição

Algumas pessoas acreditam que a esperança é uma virtude, creio que seja apenas um pesadelo disfarçado de sonho encantado. Um sentimento amaldiçoador.

É um propulsor de ansiedade que nos faz viver angustiadamente um amanhã projetado em um presente atormentador. 

Descobrimos a falta de sentido da vida e admitir isso torna-se um fardo, então vivemos de esperanças, como se algo em algum momento fosse preencher o vazio da existência.

Abrimos mão de saborearmos algum contentamento presente em troca de uma ilusão que nunca irá nos satisfazer.

Desejar mais do que se possa alcançar nesse momento é garantia de insatisfação. O desejo não tem fim.

Melhor seria esperar menos, sonhar menos.
Satisfazer-nos com o que pudermos, aqui e agora.