Solidão e egocentrismo

“De um ponto de vista histórico, a solidão foi muitas vezes vista positivamente, por ser tão adequada à entrega de si mesmo a Deus, a reflexões intelectuais e a exames de consciência. Hoje, no entanto, poucos têm uma ideia positiva da solidão.

Em vez da solidão, abraçamos o egocentrismo, e nele somos dependentes dos olhares de outros: tentamos preencher todo o seu campo de visão, procurando nos afirmar. O egocêntrico nunca tem tempo para si, somente para o reflexo de si que encontra nos outros. Ele nunca encontra paz em relação ao seu pequeno e encolhido eu, no entanto é forçado a inflar um eu exterior de enormes proporções – mas trata-se de um eu gigantesco, e quem o inventou tem cada vez mais dificuldade de preenchê-lo. Paradoxalmente, o egocêntrico torna-se mais solitário que aquele que aceita a solidão, pois o primeiro está cercado apenas por espelhos, enquanto o segundo pode encontrar espaço para outros que são genuínos. O egocêntrico só pode pensar “não é fácil ser eu”, ao passo que o solitário é capaz de compreender que não é fácil ser qualquer pessoa.
A solidão, certamente, não é uma boa coisa em si mesma. É muitas vezes experimentada como um fardo, mas também contém um potencial. Todos os seres humanos são solitários, alguns mais que outros, mas ninguém escapa da solidão. Tudo depende de como ela é enfrentada: como ausência ou como possibilidade de serenidade.

Na solidão, há uma possibilidade de estar em equilíbrio consigo mesmo, em vez de buscar equilíbrio em coisas e pessoas tão fugazes que escapolem constantemente.” – Lars Svendsen em seu livro traduzido “A filosofia do tédio”, p. 158