Olhos cansados

Ei, deixe-me ver seus olhos. Me parecem cansados. Percebo sofrimento escondido no seu olhar. Lágrimas se acumulam. Deixe-as escaparem pelo seu rosto. Querem gritar sua dor. Permita-as fazerem por você.
Não tenho muito o que falar e nem o que fazer, mas ofereço um abraço forte pra te acolher. Sem julgamento. Sem culpa. Apenas venha e descanse aqui.

O sentido e a insanidade

Já lhe perguntaram o que esperava da vida. Ele dizia que nada. Cada um tinha sua pregação sobre o sentido da vida. Ele não. Sabia que não passava de uma mentira pra suportar essa loucura. Cada dia de vida não passava de uma forma de atestar sua irracionalidade. E acha que ele se importava? Ele gargalhava entorpecido de insanidade.

Marcas do tempo

As marcas do tempo já lhe talhavam o rosto. A vida já lhe ensinara muito. Já não era mais aquela pessoa ansiosa e ambiciosa. Planejava pouco. Queria pouco. Esperava pouco. O luxo material já não era algo que lhe encantava. As coisas simples eram as que mais lhe importavam. Um abraço. Um beijo. O nascer e o pôr do sol. O barulho do mar. Uma gargalhada. Uma caminhada. Os amigos.

A essa altura tinha já vivido o suficiente para estar no caminho que gostaria de estar.

A chuva

A chuva vinha e costumava trazer junto lembranças que ele tentava esconder. Um dia choveu tanto que ele desmaiou por overdose de passado.

Pode me ouvir?

Ei, será que daí você pode me ouvir? Preciso confessar, não sei o quanto vou aguentar. Tenho tentado fazer valer cada minuto, mas não importa o que faça, alguns deles não valem nem mesmo um grito em meio a uma multidão barulhenta. Se estivesse aqui lhe mostraria a loucura que é. Humanos correndo pra lá e pra cá pra ganharem suas vidas, dizem eles, mas no fundo me parece apenas que estão perdendo-as. E sabe né? O final é sempre o mesmo. Cansei dessa correria. Vou caminhando mesmo. Vou por vias alternativas, devagar, contemplando, parando, descansando. Não quero chegar a algum lugar, quero apenas caminhar. No momento estou de bem com essa loucura que chamam de vida. Uma hora isso acaba.

Coração disparado

Olhá-la fazia seu coração acelerar. Optava por não falar-lhe nada. Queria apenas admirá-la. De tanta euforia, roubou-lhe um beijo. Ela não aceitou o roubo e tornou o beijo a própria moeda de punição. Beijo se paga com beijo, ela disse-lhe. Quando percebeu, estavam deitados na areia da praia. Era noite. Corpos despidos, colados. Seu coração disparado. Olhar de apaixonado. Sentir isso fazia valer cada segundo de vida.

A noite vem

A noite vem, e com ela o frio. Não há nada que aqueça sua alma. Por dentro um choro. Ninguém vê. Ninguém sabe. Diriam que não vale a pena. Mas quem sabe o valor de cada coisa? Ele não teme a dor. Ele teme se tornar insensível.

Mundo dos livros

Enquanto eles se sentiam sozinhos quando não tinham ninguém por perto, ele encontrava amigos justamente nessas horas, em seus livros, nos quais continham pessoas incríveis, disponíveis num abrir de páginas. Seu mundo não era apenas aquele que os outros viam, mas esse que também imaginava e sentia. Por sorte nesse mundo algumas coisas faziam sentido. Ele se dava por satisfeito.

Gargalhada

Deitado. Silêncio. Escuridão. Achou que ia dormir. Alguém ri. Ele nem ouve, apenas fica sabendo. A risada vem e ressoa numa gargalhada. Ele não entende, apenas atesta a insanidade em ambos.

Valeu a pena

Quando a conheceu, sabia que estar com ela valeria a pena. Tinha mais graça acordar lembrando dela e dormir pensando nela. Quando a encontrava o coração disparava. Seu olhar, sua boca, seu toque, seu abraço, seu jeito de falar. Tudo contribuía para querer sua companhia. Cada momento juntos era mágico. O ciclo se fechou. Ela se foi. Ele sorriu agradecido. Valeu a pena.