Tragédias interessantes

“Para o esteta, as tragédias são coisas interessantes de observar, mas incômodas de sofrer.” – Livro do Desassossego, Diário de Bernardo Soares, Fernando Pessoa

Libertação e poder

“A renúncia é a libertação. Não querer é poder.” – Livro do Desassossego, Diário de Bernardo Soares, Fernando Pessoa

Buracos na vida

“os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvore ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas” – A Garota no Trem por Paula Hawkins

Sofrimento e felicidade

“Encaro o sofrimento como um sentimento ambíguo, o qual, junto à face da consternação, traz intimamente colada em seu verso a imagem do júbilo que acabara de ser interrompido, talvez só neste instante percebido. Paralelamente, a felicidade carrega junto a si, como um castigo a professar, a certeza de que, quanto menos valor é dado aos segundos a serem desfrutados, mais rápido se esvaem, dando passagem ao que pode ser a sua ausência. E, nesse caso, dependeremos do sofrimento para lembrarmos o que tínhamos de bom.” – Um de nós deve saber: A divina tragédia de Klaus por Edu Martins

Se defender contra o tédio

“Aquele que se defende completamente contra o tédio, também se defende contra si mesmo.” – Nietzsche, “Menschliches, Allzumenschliches,Der Wanderer und seun Schatten”, em Kritische Studienausgabe. Munique, Berlim e Nova York, 1988, vol 11.

Trabalhar com filosofia

“Trabalhar com filosofia tem realmente mais a ver com trabalhar consigo mesmo. Com as próprias concepções. Com a maneira como olhamos as coisas. (E com o que esperamos delas.)” – Witttgenstein em “Vermischte Bemerkungen”, p. 472.

Capacidade de tolerar o tédio

“Sem a capacidade de tolerar certo grau do tédio teremos uma vida desgraçada, que será uma contínua fuga do tédio. Todas as crianças deveriam, portanto, ser educadas para serem capazes de se entediar. Estimular uma criança constantemente é negligenciar uma parte importante de sua educação.” – Lars Svendsen

Solidão e egocentrismo

“De um ponto de vista histórico, a solidão foi muitas vezes vista positivamente, por ser tão adequada à entrega de si mesmo a Deus, a reflexões intelectuais e a exames de consciência. Hoje, no entanto, poucos têm uma ideia positiva da solidão.

Em vez da solidão, abraçamos o egocentrismo, e nele somos dependentes dos olhares de outros: tentamos preencher todo o seu campo de visão, procurando nos afirmar. O egocêntrico nunca tem tempo para si, somente para o reflexo de si que encontra nos outros. Ele nunca encontra paz em relação ao seu pequeno e encolhido eu, no entanto é forçado a inflar um eu exterior de enormes proporções – mas trata-se de um eu gigantesco, e quem o inventou tem cada vez mais dificuldade de preenchê-lo. Paradoxalmente, o egocêntrico torna-se mais solitário que aquele que aceita a solidão, pois o primeiro está cercado apenas por espelhos, enquanto o segundo pode encontrar espaço para outros que são genuínos. O egocêntrico só pode pensar “não é fácil ser eu”, ao passo que o solitário é capaz de compreender que não é fácil ser qualquer pessoa.
A solidão, certamente, não é uma boa coisa em si mesma. É muitas vezes experimentada como um fardo, mas também contém um potencial. Todos os seres humanos são solitários, alguns mais que outros, mas ninguém escapa da solidão. Tudo depende de como ela é enfrentada: como ausência ou como possibilidade de serenidade.

Na solidão, há uma possibilidade de estar em equilíbrio consigo mesmo, em vez de buscar equilíbrio em coisas e pessoas tão fugazes que escapolem constantemente.” – Lars Svendsen em seu livro traduzido “A filosofia do tédio”, p. 158

Dor e tédio

“a dor é localizada, enquanto o tédio evoca um mal sem nenhuma localização, sem nenhuma base, sem nada exceto esse nada, inidentificável, que nos corrói” ― E.M. Cioran