Experiências religiosas

Para muitos crentes em seres míticos, o que sustenta sua fé são as experiências religiosas que supostamente tiveram com tais seres.

Sua crença é tão arraigada que destroem qualquer fagulha de sensatez em troco de auto-afirmações que confirmem sua crença. A mente prega um teatro tão grande que a pessoa nem percebe que é apenas uma peça. Caem em suas próprias pegadinhas.

Quero deixar claro que acredito que as pessoas possam ter experiências que as deixem perplexas, inclusive eu. Mas quero deixar mais claro ainda que isso em nada tem relação com seres galáticos. Uma coisa é aceitarmos experiências que não temos explicações, outra é fazer interpretações inventando qualquer besteira que nos vêm a mente.

Se eu colocar meu braço pra fora de casa, cuspir na janela e disser: “Que caia chuva nesse momento senhor dos azulejos mal colocados!”, e cair chuva, o que eu vou pensar? Oras, vou apenas constatar que a chuva caiu e achar a coincidência um barato.

Gostaria mesmo que as pessoas antes de falarem sobre isso soubessem a nítida diferença entre experiência e interpretação. Sabem aquela frase de trânsito “na dúvida, não ultrapasse”? Isto serve para este tipo de coisa também: Achou interessante, ficou intrigado com a experiência? Ok. Aproveite-a. Sinta-a. Contudo “não ultrapasse”. Não invente história.

Outra coisa interessante é como as pessoas aceitam experiências religiosas como milagres. Não bastasse acreditar como algo uno a experiência e a interpretação mítica, as pessoas aceitam tais experiências como milagres. O conceito de milagre que parecem utilizar seria algo como um evento sobrenatural realizado por alguma divindade que quebre as leis naturais propositalmente em favor de alguém.

E esse milagres são assim: ou as pessoas ouviram falar ou vivenciaram algo que não souberam explicar e por isto já definiram que é milagre.

Quantas pessoas não nos contam milagres que ouviram fulano dizer que aconteceu e confiam plenamente no relato e na interpretação pelo simples fato de confiarem na pessoa? Mas tenham dó. As pessoas se enganam, adornam suas memórias, interpretam a seu belprazer e te dão apenas a novela pronta. Podem não fazer por mal, mas fazem. Por qual motivo comprar a história pronta? Uma coisa é você aceitar que alguém teve uma experiência que não soube explicar, apreciar, ter empatia, outra é aceitar as interpretações.

As pessoas possuem tamanha ousadia para exporem sua ignorância a ponto de inventarem interpretações fantasiosas, mas não se dão o mínimo trabalho de averiguar os fatos ou de aceitar o desconhecido. Preferem a comodidade de acreditarem no que estão interpretando sem correr o risco de descobrirem a verdade por trás dessa cortina que as cegam ou de aceitarem a falta de resposta. É tão mais fácil e tão infantil.

Sejamos maduros para aceitar questões sem respostas. Não saber tudo faz parte da vida. Admitamos. Se não sabe explicar algo, não explique, não invente, não ultrapasse. Seja honesto consigo e com os outros.

Desespero noturno

Há momentos em que nada satisfaz. O tédio consome a última esperança. A angústia brota sem dar qualquer direção.

Vontade de não estar aqui, tampouco em qualquer lugar.

Fé e religião

A crença em divindades e a crença no progresso da humanidade não me parecem tão diferentes como alguns pensam.
O conhecimento pode evoluir mas não preencherá a falta de propósito da vida nem nos fará deixar de sermos um mero acidente na trajetória do universo.

A fé num mundo baseado apenas em ciência assim como a fé de que é possível alcançar um nirvana de conhecimento que cure o macaco civilizado de sua demência, não passam de divindades seculares. Religião mundana.

O mito de algo que mudará para sempre a vida dos humanóides, parece que sempre correrá em nossas veias, mesmo não passando de uma ilusão.

A luta pelo extermínio da religião e o domínio da ciência, como alguns ateus travam, assim como a luta para espalhar os evangelhos dos deuses com a expectativa de converter o mundo, como cristãos fazem, são combates destinados ao fracasso.

Moldar a justiça divina

Uma pessoa comentou em um vídeo de Saramago que publiquei no facebook:

“Saramago, apesar de ser um dos escritores mais brilhantes de nossa epoca, comete um erro primario, muito comum a todos os ateus: moldar a justiça divina de acordo com o conceito humano de justiça.”

Como definir o que seria “justiça divina” sem estar utilizando conceitos humanos? Na mesma frase a pessoa utiliza e nega o uso de conceitos.

O que seria um conceito não-humano? Como alguns crentes caracterizam deus como justo e bondoso se não fazem relação com conceitos humanos? O que seria “justiça divina”? Parece algo como ter carta branca para fazer o que quiser e ainda assim sempre estar “certo” e manter servos felizes com sua decisão, mesmo que envolva assassinar pessoas e tomar atitudes bizarras.

Pensando nesse comentário que essa pessoa me fez, gostaria de pedir então aos crentes que pensam assim que, por favor, parem de pregar sobre deuses, seja jeová, alá, mitra, zeus ou qualquer outro, pois não passam de conceitos humanos. Deixem as fábulas pra si mesmos.

Vá e não peque mais.

Abstração

Por vezes sinto-me ilhado. Apreendo a abstração de tal forma que fogem-me os meios de me comunicar, de me fazer entender e até de me entender.

Tudo tão subjetivo, relativo e obscuro.

Perco a motivação de tentar eslarecer e desenvolver qualquer assunto sabendo que serão conceitos e entraves de linguagem. Não dirão muita coisa e nem serão o que eu realmente quero dizer, se é que sei o que quero falar.

A inspiração de escrever mais distancia-se. Não vejo motivo em me aprofundar em palavras pois no fundo me parece que elas pouco dirão. Em alguns momentos elas nem mesmo me vem a cabeça mais.

O sentimento de uma ilha vazia flutuando no nada.

Mestre e doutrina

Ao viver sem necessidade de um rumo certo, despreocupado, me reinventando e criando meus próprios valores percebo que muitas pessoas sentem necessidade de ter um mestre, um exemplo a seguir, ou alguma doutrina a guiar-lhes.

Perguntas e Respostas

Confesso que houve um tempo em que eu me preocupava em encontrar respostas para todo tipo de questões que envolvia a vida.
Com o tempo descobri que a paz de espírito está em não se importar com essas perguntas e muitos menos com suas respostas.

Certezas e verdades

Não dependo de certezas e nem de verdades. São prisões para seus fiéis.
Vivo de acordo com minha percepção limitada e deformada.
Não pretendo estar certo, como se houvessem valores absolutos, e nem coerente, como se o ‘eu’ fosse uma identidade real, permanente e estável.