Morte

A morte é perturbadora apenas para os que estão vivos. Para os que se foram é o descanso eterno, uma recompensa inestimável.

Ócio

Me dou bem com o ócio, a falta de obrigação e de responsabilidade.
Não me culpo e nem me sinto mal. Na verdade, aproveito esta sensação.
Por natureza a preguiça me acompanha.

Pare de esperar

Pare de esperar pelas coisas.
Tome iniciativa ou desprenda-se.
Não baseie sua vida em expectativas.
Evite sofrimentos, viva o momento presente.
Tome consciência do agora e livre-se de imaginações acerca do futuro.

Nostalgia de uma memória fabricada

Vejo fotos e me vem à memória tempos passados, tristeza. Sei que por certo esta nostalgia é uma falta de algo que não me faria melhor do que hoje, são lembranças adornadas por uma mente com seus próprios caprichos.

Ilha

Quem nunca teve vontade de dormir sem querer acordar? Quem nunca teve medo de dormir sem saber se iria acordar? A vida sob várias perspectivas.

Somos a relação um com o outro, sujeito e objeto, as experiências vividas e sentidas. Uma coisa agora outra depois.

No mais, hoje me sinto uma ilha, que não deseja ser explorada e nem habitada. Uma pequena superfície de nada querendo ir a lugar algum num mar de abstração e subjetividade.

Quero estar a sós, comigo mesmo, sem ser ninguém. Não quero falar sobre nada, sobre ninguém.

Assisto a vida passar sem expectativas. O momento apenas acontece.

Sete palmos

A vida é uma piada infame, fazemos de tudo para lhe dar um sentido fugaz que nos alivie do doloroso preço da consciência mas o único remédio efetivo é o descanso eterno, a sete palmos.

Senso de produtividade

A mecânica da vida tenta nos fornecer um senso de produtividade, para assim conseguir máquinas pensantes que trabalhem a seu favor vinte e quatro horas por dia.

Aqueles que deixam este ideal tomar conta de suas mentes e não cumpre-o, sentem-se como empregados improdutivos e inúteis sempre que possuem um horário disponível em sua agenda.

O ócio torna-se algo a ser combatido. O dormir é encarado como perda de tempo. A preguiça desvirtua-os.

Esquecem-se que a vida leva a todos para o mesmo buraco. O salário é o mesmo, trabalhando ou não. Morte.

Correm pra lá e pra cá, sempre pensando no que fazer depois. Para nada. Em vão. O aqui e agora, único momento existente, torna-se secundário.

As atividades são planejadas para poderem ter sempre o que fazer, mostrar serviço a um patrão que não dá a mínima para o funcionário.

Ter tempo livre, seja para puro lazer ou um belo descanso, é perda de tempo. Contraditório assim.

Morte e suicídio

Para fazer valer a luta diária em se manter vivo é necessário alguma dose de prazer e satisfação. Não quer dizer que isto já pague o esforço, mas ameniza a dor.
Bem, mas no fundo, em geral basta o instinto de auto-preservação para manter todos vivos.
A morte é evitada mesmo sabendo que ela nos traz a premiação tão almejada: livramento do sofrimento e do tédio. Se a vida exige esforço, a morte não exige nada.
Não há o que se ganhar com a vida. Não levamos nada. O fim é igual para todos.
Em contrapartida, adiar este momento e brincar um pouco faz parte do jogo para a grande maioria.

Há algumas pessoas que perdem a habilidade de alcançar prazer e vencem o instinto. Optam pelo fim da vida de maneira direta e instantânea.

Existem casos em que a desistência de viver ocorre por alguma decepção momentânea, uma distorção dos fatos. Bastaria deixar a poeira baixar para o desespero crônico passar e conseguir seguir a vida normalmente. Infelizmente, no meio de uma crise, nem todos conseguem perceber que aquilo é passageiro.

Contudo, há estado de espírito de certa constância, onde não é um caso de distorção ou falta de percepção, e sim um apego aos fatos nu e cru da realidade. A falta de sentido escancarada o tempo todo na cara sem permitir qualquer devaneio.
É possível que algumas drogas possam mudar este estado mental e permitir que prossigam com suas vidas mas isto só seria vantagem se a própria pessoa considerasse assim.
As pessoas criticam o suicídio pela dor que causam a elas e à sociedade. Estão pensando em si mesmas, e não naquele corpo que preferiu parar de respirar. Ele encontrou sua paz, e elas o seu tormento.
Difícil aceitarem que ficarão nesta luta non-sense sozinhas e aceitar que o outro desistiu da luta. Se é pra sofrer, que soframos juntos, pensam.

Não dão o direito de alguém se abster da vida de forma planejada. Algumas religiões até buscam uma forma de punir os suicidas no além-mundo fantasioso.
Com esta ideia nem os anciãos à beira da morte poderiam desejar morrer. Teriam sempre que lutar pela vida, desejá-la. E não é bem assim. Com seu corpo debilitado e sua mente cansada, já desejam o sossego eterno. Deveríamos insistir a eles que desejem ainda mais a vida? Puní-los pelo desânimo em viver?

Quem pode afinal estabeler os limites para escolher a vida ou a morte senão a própria pessoa?

Viver é uma arte, escrita com pena cheia de sangue.

O sentido da vida

A quietação de ânimo, se possível, não parece estar na procura de algum sentido para a vida mas no desapego desta ideia.

A esperança no futuro

A esperança no futuro é uma das causas de tanta ansiedade e estresse do presente.
As pessoas não aceitam sua condição, sua natureza. Querem um paraíso, querem a imortalidade, querem estar livres do sofrimento.

Esperam a salvação de si mesmas na religião e na ciência. Esquecem-se quem são em troca de alguma utopia.
Somos e seremos para sempre meros animais. Aglomerado de átomos.

O tédio e a aflição fazem parte de nossa natureza.
Em vez de tentar manipular e iludir a consciência, é necessário usá-la a nosso favor, aceitar o que somos, evitando desgastes que não mudarão nossa condição.
Fazer menos. Nos esforçar menos. Nos preocupar menos. Sem pressa. Mais devagar. O fim sempre chega.