Self, eu, ninguém

Temos uma grande tendência em buscar coerência em todas as nossas ideias já transmitidas.

Tememos perder crédito com os demais ao mudarmos de opinião ou revelar qualquer metamorfose.
Buscamos uma permanência em nossa própria imagem.
Queremos defender pontos de vista.
Almejamos vencer debates, ter os melhores argumentos.
Amamos estar “certos”.

Esquecemo-nos de que o “eu” é ilusório. Não existe uma essência permanente. Defendemos algo vazio.
Somos uma coleção de diversos pensamentos e ações gravados numa memória, que vez ou outra adorna o passado com elementos inexistentes ou distorcidos.
A cada momento nasce um novo “eu”, a cada papel empregado na vida brota uma nova identidade.
Surgimos numa sucessão de compilações mutáveis.

Quando podemos nos deprender um pouco desta sensação de sermos uma personalidade independente imutável e de defender uma imagem estática fantasiosa, deixamos um esforço inútil de lado.
A cabine do piloto está vazia. Relaxe e aproveite a viagem.